Do primeiro pedido de socorro à garantia de proteção: Julia Nunes defende assistência jurídica desde a delegacia

Para muitas mulheres, o momento de denunciar uma violência é também o momento em que o medo encontra a coragem.

É quando a vítima decide romper o silêncio, procurar ajuda e confiar ao Estado uma história que, muitas vezes, carregou sozinha por meses ou anos. Mas denunciar não deveria significar enfrentar dúvidas, inseguranças e procedimentos desconhecidos sem saber quais são os próprios direitos.

É para transformar esse primeiro passo em um caminho de proteção que Julia Nunes defende uma proposta direta: garantir assistência jurídica à mulher desde a delegacia, assegurando orientação e acompanhamento desde o primeiro momento da denúncia.

Quando denunciar também precisa ser um ato de proteção

Sobrevivente de violência, mãe solo e advogada, Julia conhece a vulnerabilidade que pode existir quando uma mulher decide buscar ajuda. Sua trajetória à frente da AME, instituição criada por ela para acolher e orientar mulheres em situação de violência, reforçou uma convicção: informação também é uma forma de proteção.

Muitas vítimas chegam à delegacia sem saber exatamente quais medidas podem solicitar, quais documentos precisam apresentar, como funciona o processo de proteção ou quais serão os próximos passos depois do registro da ocorrência.

Nesse momento, ter acesso a orientação jurídica pode fazer a diferença entre simplesmente registrar uma denúncia e conseguir construir, desde o início, uma estratégia segura para romper o ciclo da violência.

A proposta de Julia parte justamente desse princípio: *nenhuma mulher deveria estar sozinha diante do sistema de Justiça no momento em que mais precisa ser protegida.*

Assistência jurídica desde o primeiro momento

A iniciativa prevê que a mulher tenha acesso à orientação de um profissional habilitado desde a delegacia, podendo compreender seus direitos, receber esclarecimentos sobre as medidas protetivas e ser acompanhada na busca pelas providências necessárias à sua segurança.

Entre os principais pontos da proposta estão:

  • Orientação jurídica imediata: Garantir que a mulher compreenda seus direitos e as possibilidades de proteção disponíveis já no momento da denúncia.
  • Acompanhamento durante os procedimentos: Oferecer suporte para que a vítima não precise enfrentar sozinha as etapas que seguem o registro da ocorrência.
  • Informação sobre medidas protetivas: Facilitar o acesso a mecanismos de proteção e explicar, de forma clara, como funcionam e quais providências podem ser adotadas.
  • Encaminhamento para a rede de proteção: Fortalecer a conexão entre assistência jurídica, atendimento psicológico, serviços sociais e demais estruturas responsáveis pelo acolhimento da vítima.

Da porta da delegacia para uma rede de proteção

A proposta parte de uma mudança de perspectiva: a delegacia não deve ser apenas o lugar onde a violência é registrada, mas também uma das portas de entrada para uma rede efetiva de proteção.

Quando uma mulher chega para denunciar, o Estado precisa estar preparado não apenas para ouvir, mas para orientar, acolher e agir.

Para Julia Nunes, garantir assistência jurídica desde esse primeiro contato significa devolver à mulher algo que a violência tenta retirar: a sensação de que ela tem direitos, escolhas e caminhos possíveis.

Sua experiência com o acolhimento de vítimas mostra que romper o ciclo da violência raramente acontece em um único momento. É um processo que exige segurança, informação e uma rede preparada para caminhar ao lado da mulher.

Transformar o direito de denunciar no direito de ser protegida

A luta contra a violência doméstica não termina quando a denúncia é registrada. Na verdade, para muitas mulheres, é ali que começa uma nova etapa. e ela precisa ser acompanhada de proteção.

Ao levar essa proposta para o debate político, Julia Nunes defende que nenhuma mulher seja obrigada a conhecer sozinha o caminho para buscar justiça.

Porque coragem é dar o primeiro passo.

Mas, quando uma mulher decide denunciar, o Estado precisa dar os próximos com ela.

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